Logo que eu terminei a residência de Dermatologia em 2003, eu fui trabalhar no interior. Estava montando meu primeiro consultório com o melhor que eu poderia fazer, dentro de um orçamento ultra limitado e um empréstimo. Comprei uma cadeira cirúrgica muito bonita, que pesava 200 kilos e precisava ser transportada para o consultório, que ficava em Coronel Fabriciano. Sem poder pagar uma transportadora, tentando economizar ao máximo, fui até um local da cidade onde ficavam parados vários caminhõezinhos para pequenos fretes, procurando o melhor preço.
Até que, depois de muito perguntar, escolhi um caco de uma caminhonetinha, literalmente caindo aos pedaços, onde lia-se numa plaquinha na frente: “FAZEMO-SE FRETE” e, atrás, na carroceria: “SÓ JESUS SALVA”.
O preço da Só Jesus Salva era só de 30 reais, para levar minha cadeira de Ipatinga a Coronel Fabriciano. Perfeito. Detalhe: o motorista só levava se eu fosse junto. Mico bem págo, mas tudo bem, uma transportadora não ficaria por menos de 200 reais.
Fui então, na Só Jesus Salva, sentada à frente, no lado do carona, segurando a porta (que não fechava… pode isso?) e com minha cadeira e dois moços na carroceria, sacudindo desde Ipatinga até a cidade ao lado, que é Coronel Fabriciano. Isso é que é entrada “triunfal” em uma cidade… Vergonha pouca é bobagem. Mas fui, pela carência de cobres na época.
Quando entramos na avenida principal de Coronel Fabriciano, havia uma grande descida, que iniciava-se logo após a Igreja Católica da cidade. Já no finalzinho da parte plana, um pouco antes da Igreja, eu olho pela janela e observo, atônita, que a roda dianteira do carro estava soltando. Gente, soltando! Gritei:
- Moço! Pelo amor de Deus, freia essa caminhonete porque a roda da frente está saindo!
O motorista, com uma cara de dejavu, muito calmamente, resmungou:
- Droga! O eixo soltou de novo!
Para todos aqueles que não passaram por essa situação, aprendam: quando o eixo solta, o freio não péga. Detalhe, ia começar uma descida gigante a poucos metros.
- Moço, a roooooooóda! Freia! Freia! Freia! (melhor morrer falando do que em silêncio)
O cara deu um golpe no volante, virando para a direita, subiu na calçada e fomos contidos pelo muro da Igreja, a menos de 2 metros da descida. Eu quase fui velada ali mesmo.
Minha porta ficou presa no muro da Igreja. Com muita dificuldade, o moço conseguiu abrir e eu desci com a freqüência cardíaca acima de 200 batimentos por minuto. A única coisa que consegui pensar quando coloquei o pé no chão foi: ainda bem que Jesus Salva.
Salva a gente da ignorância de fazer uma coisa que você tem certeza que vai dar errado. Por exemplo, autoprescrição de ácido. Ácido é ácido. Não compre sem indicação, porque sua amiga está com um ótimo. Ácido precisa ser acertado para o seu tipo de pele, a hora certa, o número de vezes na semana que dá para usar, a época do ano, o período correto. Enfim, são muitas variáveis que seu dermatologista precisa analisar para orientar um produto correto e da forma correta. Para não depender de um milagre depois.






fazer supermercado, atender dermatologia, exercer a parte de estética, dar aula, ir a congresso, escrever o Blog…
E para você que acessa o Blog sempre, ele funciona assim:
Os assuntos que eu escrevo são escolhidos da minha agenda de consultório. Vou anotando algumas dúvidas de pacientes para depois postar. Quando perguntam muito sobre uma roupa, sapato, colar ou anel, posto também. Isso não é dermatológico.















